segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Contos do fim do mundo II

Um diálogo sobre Bad Moon Rising


- Este é um sinal - avisou Pedro. - Só pode ser um sinal.
- Sinal de quê? - indagou João, perplexo.
- Do fim do mundo - respondeu. - Não está ouvindo a música?
João parou para ouvir. Era uma música cantada em inglês. Não entendia o significado. Claro que não entendia. Trabalhara bastante para poder pagar o curso de inglês de Pedro e não sobrara nada para si. Não reclamava, pois esta era a função do irmão mais velho: preparar o caçula para a vida. E o mais novo sequer sabia trocar um pneu.
- Está tocando Bad Moon Rising - esclareceu Pedro. - do Creedence.
Esperou que João associasse algo óbvio, mas sabia que isso não aconteceria. Sempre tivera que explicar tudo para o irmão mais velho, até as coisas mais simples. No fundo, Pedro sentia-se pouco a vontade por conhecer coisas mais complexas do que o irmão. Por frequentar a universidade enquanto João abandonara o ensino médio.
- Hoje é 20 de dezembro, João - lembrou, impaciente. - E está tocando Bad Moon. Há quanto tempo não ouvimos essa música? Ela prevê o apocalipse! O mundo vai acabar. Os Maias previram.
João sabia que Pedro sempre tinha ideias e associações malucas. Detestava esta característica, mas compreendia que no fundo, Pedro era alguém que precisaria sempre de sua proteção. Foi assim quando precisou defendê-lo na escola dos meninos mais velhos, foi assim quando o encorajou a conversar com a menina por quem estava apaixonado.
Pedro detestava aquele instinto protetor do irmão mais velho. Tinha a impressão de ser sufocado. Mas compreendia que aquela era a ausência do pai em suas vidas. João simplesmente fazia tudo o que queria que seu pai tivesse feito para ele.
- Não fale besteira - João voltou a beber. - Nada vai acontecer.
Não falaram mais sobre o assunto. Não falaram mais sobre nada.
João ficou apreensivo, afinal Pedro estudara muito mais. E se ele estivesse certo?
Pedro ficou confiante, afinal João entendia muito mais das coisas. Ele sempre estava certo!
Mas João decidiu uma coisa: se essa fosse a sua última noite na terra, pelo menos ensinaria Pedro a beber feito homem. 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Conto do fim do mundo


- E se o mundo acabar amanhã?
Era vinte de dezembro de 2012, mas a pergunta o pegou de surpresa.
- Como assim? - perguntou ele.
- E se o mundo acabar amanhã? - repetiu a garota. - Toda essa história dos Maias, sabe?!
Aquela garota loira, com aquele sorriso espetacular, parecia ter saído de seus sonhos. Seus olhos se encontraram por um momento. Ah, aquele olhar! Finalmente tinha conseguido levá-la para sair, estavam em uma mesa de bar.
Ele cursava Administração, ela Pedagogia. Ele tinha família influente, ela não conhecera o pai. Estava decidido a impressioná-la. Pensou por um momento e começou a falar, inseguro no começo e mais animado conforme avançava:
- Acho que ficaria triste pela minha família. Mas vivi uma vida legal e batalhei bastante até aqui. Trabalhei muito, conheci muitos lugares, lutei pelos meus sonhos...
Ela permaneceu calada, observando as estrelas. Ele resolveu entrar em terreno incerto.
- Mas é óbvio que eu ficaria muito triste - arriscou - pois acabei de conhecer a garota com quem sempre sonhei...
Parou neste momento não por medo da reação dela. Pelo contrário. Parou pela inexistência de uma reação. A garota simplesmente não prestava atenção no que ele dizia.
- E você? - chamou a atenção. - O que faria se soubesse que o mundo vai realmente acabar amanhã?
Ela suspirou.
-Comeria uma lasanha inteira - respondeu a garota. - Sozinha.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Arte nas ruas inspira moradores

Projeto Pintando a Paz tenta dar nova imagem ao bairro Santo Afonso





Uma turma de amigos do bairro Santo Afonso, localizado na periferia de Novo Hamburgo, resolveu mudar a imagem do local em que vivem. Para tanto, realizam oficinas de grafite para adolescentes. Para estes jovens, os muros são suas telas e a tinta é a oportunidade de se comunicar. Desde maio de 2011 o grupo utiliza o seu talento para transmitir suas mensagens através do projeto Pintando a Paz.


“Tínhamos muitas ideias na cabeça e apenas um spray na mochila”, conta um dos idealizadores do projeto, o estudante do curso de história da Universidade Feevale Lázaro Delmar Frank. “Foi um parceiro nosso que contou que existia um edital do Ministério da Cultura para premiar ações como essa. Resolvemos, então, escrever a iniciativa e deu certo”, explica, referindo-se ao Prêmio Mais Cultura de apoio a microprojetos para territórios da paz, que premiou cerca de 40 ações realizadas no município.

Com o valor recebido o grupo pode ampliar o projeto, “foi aí que começamos a, além de grafitar, realizar oficinas e mostrar a diferença entre grafite e pichação, conseguimos atingir mais jovens”, comentou Lázaro, entusiasmado. “Recebemos o apoio da prefeitura com a elaboração do projeto, mas a iniciativa é nossa”, faz questão de informar.

Ação além dos muros


Lázaro, um dos integrantes do projeto
O bairro Santo Afonso comumente é noticiado nas páginas de jornais por crimes acontecidos na região, o que é para Lázaro uma distorção da realidade. “Nosso bairro tem muitos trabalhadores e pessoas de bem, pais e mães de família que dão o seu suor para sustentar suas casas. Mostrar apenas os problemas é não respeitar essa grande maioria da população”, afirma.

Por esse motivo, desde 2010 o bairro é considerado um “Território da Paz”. Trata-se de um projeto do Ministério da Justiça que destina ao bairro um conjunto de ações afirmativas e políticas públicas que visam melhorar a qualidade de vida e auxiliar aquelas pessoas considerados em situações de vulnerabilidade social. Lázaro considera a ação importante, mas acrescenta que “não pode ficar só nisso”.

Assim, os jovens encontraram outra maneira de se mobilizar: “Nossa arte é um caminho direto até o morador, grafitando um muro passamos nossas ideias, nossos sonhos, nossas angústias. Trata-se de melhorar a autoestima daqueles que nos cercam dando-os mais respeito. Para nós, o muro deixa de ser simplesmente um pedaço de concreto, acho que para os donos também”, enfatiza.

A artesã Mara Saul e sua filha Cíntia Saul. Cederam o muro
e não se arrependem
Dessa maneira, os grafiteiros tem atraído atenção: “No primeiro muro que grafitamos, as pessoas paravam para dizer que estava bonito e perguntavam se podíamos pintar as suas casas. A aceitação está sendo ótima”, comemora.

A artesã Mara Saul confirma as palavras do artista: “As pessoas perguntam quem nós contratamos para fazer o trabalho”, brinca com um sorriso no rosto. “Já havíamos pintado com tinta branca no mínimo duas vezes, mas sempre foi rabiscado. Desta vez continua bonito”, afirma. “Minha filha colocou uma foto do muro no Facebook e muita gente elogiou. Hoje nos procuram para saber como pintar as suas casas e eu indico, pois conheço o trabalho dos guris”, conclui.




O contraste é visível. O muro de Dona Mara, grafitado há cerca de três meses continua com a pintura intacta, o que não acontece com a parede da Escola Municipal Harry Roth, localizada no outro lado da rua, onde se encontram rabiscos incompreensíveis. “Até o pichador se sente representado pela nossa arte, ele respeita. Nós também o respeitamos, mas queremos vê-lo sendo um artista”, afirma Lázaro, convicto.

Arte de protesto por paz e respeito


Muro com mensagem de paz
O símbolo que sobrepõe a letra N de “nuclear” a um D de “desarmamento”, que mais tarde seria popularizado pelo movimento hippie, ao ponto de hoje ser considerado por muitos um dos símbolos da paz, pode ser visto em quase todos os muros grafitados no bairro. “É a nossa mensagem. Não importa onde o cara vive e nem como ele vive. O que todos queremos é paz”, explica Lázaro.

João Alexandre finalizando sua arte
Mas quem acompanha o trabalho dos jovens percebe que a palavra respeito não está apenas em seu discurso, mas em suas ações.O aluno do 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual 25 de Julho João Alexandre lembra que nunca havia grafitado “não sabia a diferença entre grafite e pichação”, conta. “Agora estou convencido que o bairro está melhor e mais bonito”.

Para Lázaro, o grafite auxilia na conversão de pichadores em artistas, mas o jovem está longe de condenar quem está seguindo outros caminhos. “Quem picha muros também está procurando um espaço, está querendo dizer alguma coisa. Temos que ouvi-los e trazê-los para o lado de cá. Dar uma oportunidade”.

Sobre os planos para o futuro, Lázaro os tem na ponta da língua: “queremos continuar com nosso trabalho, chegar a mais jovens e mais casas”, conta, mesmo admitindo que não pretende ficar preso aos limites do bairro. “Vamos continuar priorizando o nosso bairro, mas já fomos convidados a dar oficinas em escolas de toda a cidade”, pondera.

Reportagem: Tiago Morbach | Fotos: Roberta Bocacio

domingo, 26 de fevereiro de 2012

UNE toma a avenida no Carnaval de Porto Alegre e volta para o desfile das campeãs


A homenagem aos 75 anos da União Nacional dos Estudantes - UNE, rendeu um lindo desfile da escola de samba Imperatriz Dona Leopoldina, no Carnaval de Porto Alegre.

Com o hino "Pra não dizer que não falei de flores" de Geraldo Vandré, os mais de 1,6 mil integrantes da escola se aqueciam para abrir os desfiles e emocionar os presentes, com um samba enredo que contou toda a história da UNE, de sua criação até os dias atuais.

Com alegorias que mostravam a brasilidade, a irreverência e a combatividade do movimento estudantil, além de uma bateria nota 10 que contou com integrantes que usavam fantasias que lembravam a relação da UNE com a campanha "O Petróleo é Nosso" e a luta por 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação, o público presente foi contagiado.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu foi destaque do carro alegórico que lembrou a retomada do terreno da entidade, na Praia do Flamengo, 132. No twitter, Iliescu afirmou: "Sem palavras pra descrever o desfile da #ImperatrizDonaLeopoldina. O público foi ao delírio com a homenagem
aos #75AnosdaUNE".

Já o coordenador geral da União Estadual dos Estudantes (UEE Livre RS), Álvaro Lottermann, desfilou na ala Marcha do Povo, que reproduziu a Passeata dos 100 mil. Segundo ele, a homenagem é justa e "inspirada na profunda relação que a UNE tem com a cultura brasileira", afirmou. Também participaram da ala diversos presidentes de DCEs e militantes do movimento estudantil.

O belo samba enredo rendeu nota 10 para a escola e a Imperatriz retorna para o desfile das escolas campeãs, que acontece neste sábado (25).

Confira abaixo vídeo do desfile, produzido pelo jornal Diário Gaúcho, em que entrevista a ex- vice presidente da UNE e deputada federal, Manuela d'Ávila.


De Porto Alegre, Tiago Morbach
Fotos: Igor Correa, Mateus Bruxel/Agência RBS


---

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2012 parte I

Sabem aquele silêncio profundo que geralmente vem acompanhado de um frio na barriga que precede as grandes batalhas e é descrito em livros e filmes de guerra? Assim tem sido o meu último dia deste ano.

Foi em uma roda de samba em Porto Alegre que o ano começou e lá eu já costumava brincar que 2011 não existiria, ele seria a primeira parte de 2012, um ano para acumular forças.

Vencemos desafios gigantescos que pareciam muito maiores do que nós mas se apequenaram diante de nossa combatividade. Fomos atacados como nunca e respondemos à altura. Os raros momentos de descanso aconteceram ao lado de amigos que também suaram muito.

Foi um ano de desafios incríveis, de dúvidas, de respostas, de consolidação. 2011 permanecerá na minha mente como momento de amadurecimento, de fortalecimento, meu e de meus camaradas: pessoal, profissional e politicamente.

Foi um ano de agarrar com unhas e dentes nossos sonhos e de começar a sonhar tantos outros. Foi ano de Beth Carvalho, Marcelo D2, Leci Brandão e Martinho da Vila no Rio de Janeiro, foi ano de conhecer o morro do Pau da Bandeira na Vila Isabel e comer a maravilhosa feijoada da Tia Filó, de subir ao Cristo Redentor.

Foi um ano de blogs, twitaços, e-mails, mensagens, panfletos e fichas, no desafio de cuidar da comunicação da UJS/RS.

Foi ano de conhecer o brilho no olhar de milhares de jovens brasileiros no Congresso da UNE e de levar 300 gaúchos ao CLAE em Montevidéu.

Foi ano de conferência de juventude e de mudança no DCE Feevale. Foi ano de ver o crescimento da nova geração de militantes que construiu a maior bancada do país no Congresso da UBES.

Agora começa a segunda parte, aquela que nos preparamos há muito tempo! Aquela de grandes batalhas. Começa 2012!

Só desejo que entre nossas batalhas possamos continuar ouvindo aquele samba, acompanhado dos amigos, quem sabe comendo aquele xis do cavanhas ou tomando aquela cerveja do Retrô. Para o resto, estamos preparados!


domingo, 25 de dezembro de 2011

Bom dia camaradas


Chegam as férias e uma das vantagens é a possibilidade fazer leituras que não necessariamente pertençam à bibliografia das disciplinas e a primeira delas é justamente a obra que dá nome a este post.

"Bom dia camaradas" (editora Caminho) do jovem escritor angolano Ondjaki, possui leves 138 páginas e narram, em primeira pessoa, a história de uma criança ambientada na Luanda dos anos 1980, com seus grandes conflitos políticos, seu monopartidarismo, seus professores cubanos e sua esperança.
O autor conseguiu construir uma excelente obra que parece realmente ter sido escrita por uma criança, a partir de um olhar ingênuo que nos leva a conhecer as contradições do país da época, de forma muito simples, sem visões tendenciosas, apenas a imaginação infantil, para quem as provas de final de ano tem tanta importância quanto o momento histórico que se vive.


"Na minha cabeça chegou uma mistura de frases: um brinde à partida de tantos cubanos, um brinde ao fim do contacto com os camaradas cubanos, um brinde ao fim dessa colaboração de amizade daquele povo com o nosso, um brinde também ao fim do ano lectivo, um brinde, já agora, à partida do Bruno, um brinde ao facto de não sabermos quem fica na turma para o ano que vem, um brinde porque não sabemos se alguém vai escrever para estes professores cubanos, um brinde porque eles quando chegarem lá em Cuba, por causa do tempo cumprido em Angola, se calhar vão ter melhores condições de vida, quem sabe mais carne por semana, quem sabe um carro, quem sabe algum dinheiro a mais, quem sabe... Já agora um brinde às palavras sinceras do camarada professor Ángel, um brinde às palavras da camarada professora María, um brinde ao orgulho que ela sentiu ao ver o marido falar, um brinde aos rapazes desta sala que estavam também com vontade de chorar, um brinde à Cuba, por favor, um brinde à Cuba, um brinde aos soldados cubanos tombados em solo angolano, um brinde à vontade, à entrega, à simplicidade das pessoas, um brinde ao Che Guevara, homem importante e operário desimportante, um brinde aos camaradas médicos cubanos, um brinde a nós também, as crianças, as "flores da humanidade", como nos disse o camarada professor Ángel, um brinde ao futuro de Angola neste novo rumo, um brinde ao Homem do amanhã, e claro, como é que íamos esquecer isso, Cláudio?, Um brinde ao Progresso!"

Recomendo!!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Congresso da UNE: Nossa força e nossa voz

2005. União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. Brasília. Saudações A Quem Tem Coragem. Guri do Grêmio Estudantil descobre que nossos sonhos podem ser realizados, que vale a pena sonhar.

2007. UBES. Goiânia. Todo Mundo Pra Rua Aumentar o Som. Dirigente da UENH aprende como é organizar a bancada, fazer com que outros estudantes também percebam que vale a pena sonhar.

2009. UBES. Belo Horizonte. Arrastando Toda a Massa. Estudante no final do curso técnico e recém saído da presidência da UENH que não sabe se consegue entrar na universidade e tampouco sua próxima tarefa de militância. Nostalgia e esperança.

2011. União Nacional dos Estudantes - UNE. Goiânia. Transformar o Sonho em Realidade. Estudante de Jornalismo, bolsista do ProUni que sente todas as sensações anteriores mais intensamente.
Talvez existam poucos momentos tão propícios para a construção do país que a juventude quer como os Congressos da UBES e da UNE. Milhares de estudantes estiveram reunidos entre os dias 13 e 17 de julho em Goiânia para lutar pelo Brasil e pela educação. Milhares de estudantes dispostos a transformar o sonho de nossa geração em realidade.

Alguns dizem que a UNE não luta mais, que não é mais a mesma. Digo que luta sim, embora não seja a mesma. O mundo mudou, nós também. A UNE não precisa mais lutar contra o regime militar, mas sim pela abertura dos arquivos da ditadura. Não precisa mais lutar para ser ouvida pelo presidente, mas sim fazer pressão para que suas bandeiras sejam implementadas. Não dialoga com apenas 1% da população - que estava na universidade há algumas décadas, mas sim com milhões de estudantes universitários de todo o Brasil!

10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação são as principais bandeiras aprovadas no Congresso, mas acredito que a principal contribuição da UNE seja o brilho nos olhos daqueles que aprendem que lutar vale a pena, que é possível sonhar, que nossa juventude não se cansa, que estamos no caminho certo. Talvez a maior contribuição da UNE seja a renovação da esperança para a juventude brasileira!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Los Angeles, o churrasquinho de Higienópolis e a civilização imperfeita

Reproduzo o artigo genial de Rodrigo Viana:


Em artigo, o jornalista Rodrigo Vianna compara realidades e identidades de Brasil e EUA.
Enquanto transitava feito alma penada pelas “freeways” de Los Angeles – essas avenidas assépticas, artérias de uma cidade estranha e dominada pelo automóvel -, recebi com alegria a notícia de que em São Paulo prepara-se um histórico churrasquinho em frente ao shopping Higienópolis.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Vou tentar explicar…

A gente tem mania de dizer que o brasileiro, e o paulistano em particular, é elitista, preconceituoso, excludente. Tudo isso tem uma ponta de verdade. Tudo isso encontra amparo na nossa história secular de desigualdade. Mas ao olhar para Los Angeles – para a tristeza e a pasmaceira dessa gente nas ruas limpas e vazias – senti uma ponta de orgulho de ser brasileiro.

Sim. Vamos lembrar…

Em Nova York e Washington, jovens foram às ruas duas semanas atrás para “comemorar” o assassinato de Bin Laden. Foi um espetáculo triste. E não vi outros jovens – nas universidades, nas escolas, nas associações ou Igrejas desse imenso país da América do Norte – terem a coragem de ir pra rua e dizer: “alto lá; Bin Laden é (ou era) um assassino; mas até os criminosos têm direito a um processo legal, essa é a base da democracia”.

Não. Os Estados Unidos abriram mão disso. Trocaram Justiça por Vingança. E quem ousou protestar ficou isolado. Os Estados Unidos são um gigante combalido. E um gigante combalido é perigoso.

O Império do Norte foi duramente golpeado em 2001, pelo ataque covarde às torres gêmeas. Depois, teve sua economia golpeada com a crise de 2008 (fruto de desregulação alucinada dos “mercados”, que tomaram de assalto o Estado fundado por George Washington). A eleição de Obama parecia redenção, enganou muita gente. Mas Obama já jogou no lixo o discurso (e a pose de) modernizador, e contentou-se com o papel de cowboy.

Vocês viram a cena insólita de Obama caminhando pela Casa Branca depois de anunciar que a “justiça foi feita”, logo após o ataque no Paquistão? Patético. Obama virou Bush. Um simulacro de Bush.

Comparemos com o Brasil. Nesse mesmo período, de 2002 pra cá, nosso país elegeu um operário. Depois, reelegeu o operário. Enterrou assim o complexo de vira-lata. Muita gente temia (e havia os que torciam descaradamente para que isso acontecesse) que um homem do povo não desse conta do recado. Lula deu conta. Mais que isso: tirou 20 milhões de brasileiros da miséria, fortaleceu o mercado interno, freou o processo de desmonte do Estado, pôs o Brasil no centro das decisões internacionais, devolveu auto-estima ao povo brasileiro.

Lula cometeu muitos erros. Sem dúvida. Mas ajudou a fundar um novo Brasil. E nosso ex-presidente é um líder conhecido e admirado no mundo inteiro. Ando por Los Angeles, e quando digo que sou do Brasil costumo ouvir: “Uau, it´s cool”. Algo como: “Uau, que bacana”.

Os Estados Unidos são uma potência. Ninguém duvida. Mas são uma potência triste.

O atual presidente deles é um negro que chegou ao poder carregando esperança de renovação. Afundou-se no conservadorismo dos cowboys. A nossa atual presidente é uma mulher, ex-guerrilheira – que segue os passos de Lula.

O último ex-presidente deles é Bush Jr. O nosso, é Lula.

E o churrasquinho? Ah, isso tem tudo a ver com Lula…

O churrasquinho, como se sabe, é a reação bem-humorada a esse bando de infelizes que fez lobby para não ter Metrô perto de casa, em São Paulo. Tudo aconteceu em Higienópolis, condado habitado (santa coincidência) por FHC. Uma senhora, moradora do condado de Higienópolis, chegou a explicar porque não queria o Metrô: é que isso traz gente “diferenciada” pro bairro.

Seguiram-se reações indignadas. Ótimo! O brasileiro indigna-se. Não aceitamos mais a boçalidade elitista. Vejam que o Prates (aquele comentarista tosco da RBS) perdeu o emprego ao dizer que qualquer “analfabeto” podia ter carro. Agora, a turma de Higienópolis apanha por ter feito a opção demofóbica. Isso é muito bom.

E digo mais. Ótimo que – em vez de agressões, pancadas ou cascudos – a turma elitista receba como contragolpe um churasquinho! Essa é uma lição para o mundo. É uma saída genial. Diante do preconceito, reagimos com escárnio, não com violência.

Nos Estados Unidos, isso seria impensável. Olho pras ruas tristes de Los Angeles, para os condomínios sem alma da cidade, para as calçadas limpíssimas de Santa Mônica (o balneário aqui bem próximo da capital do Cinema), e me orgulho do Brasil.

Podemos dar ao mundo o exemplo de uma civilização imperfeita, que não pretende (e nem consegue) ser limpa, higiênica, asséptica. Somos um país forte, que pode ser rico, mas seguirá cheio de defeitos.

Aceitá-los, como se aceita camelôs e gente “diferenciada” na porta de casa, é um exercício saudável para evitar nazismos, fascismos e bushismos.

Tantaz vezes confrontado pela elite brasileira que não aceitava ser governada por um “diferenciado”, Lula não partiu pro confronto, nem tentou derrubar a bastilha. Lula reagia sempre com o churrasquinho.

O churrasquinho é como se o povo, como fez Lula durante 8 anos, dissesse pra essa elite tosca: “não queremos ser iguais a vocês… Vocês é que deviam ser iguais a nós. Venham, sejam brasileiros! Venham pro nosso churrasquinho, aproximem-se! No Brasil, há espaço até para elitistas boçais.”

Somos uma civilização imperfeita. É o melhor que podemos oferecer ao mundo.

Somos um país que responde ao preconceito com churrasquinho! Viva o Brasil.

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador.

terça-feira, 15 de março de 2011

UENH, 63 anos fazendo história

Ontem (14/03), a União dos Estudantes de Novo Hamburgo - UENH, completou 63 anos. O fato por si só já deve ser comemorado, afinal são poucas organizações que conseguem chegar a essa idade. Mas, mais do que isso, a UENH completa 63 anos acumulando grandes conquistas para os estudantes e mantendo-se atual.

"Se muito vale o já feito..."

Fundada em 1948, antes mesmo da entidade nacional, União Brasileira dos Estuantes Secundaristas - UBES, a qual é filiada, a UENH logo torna-se referencia cultural para a cidade e permanece viva até mesmo durante os duros anos de Regime Militar.
Na década de 1980, traz uma de suas principais conquistas para Novo Hamburgo: o direito ao meio-passe estudantil no transporte público. Em 1992 sai às ruas pelo Impeachment do presidente Collor, no movimento que entraria para a história como "Caras-Pintadas". Também é na década de 1990 que a UENH conquista sua sede, a "Casa do Estudante" e é a primeira entidade a lutar pela extenção da linha do metrô para Novo Hamburgo, conquista que está sendo atingida em 2011.
Na segunda metade dos anos 90 e ao longo dos anos 2000, a UENH organiza aquelas que seriam as maiores mobilizações já vistas pela cidade, contra o sucateamento da educação, pela livre atuação dos Grêmios Estudantis e na campanha "Sou da Paz", contra a guerra imperialista. É também nessa época que a entidade firma-se como referência na luta por um transporte público de qualidade.
Na virada do milênio, a UENH vê sua ex-presidente, Carla Santos, assumir a presidencia da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, tamanha era a referência da entidade para o movimento estudantil nacional.
Em 2005 conquista a Lei da Meia-Entrada Cultural e Esportiva para os estudantes da cidade e em 2007 organiza a maior passeata já organizada em Novo Hamburgo, com mais de 4 mil estudantes, lutando contra o aumento das passagens de ônibus e contra a falta de professores nas escolas públicas da rede estadual.

"...Mais vale o que será" (Milton Nascimento)

Todo esse histórico, faz com que a entidade de luta dos estudantes se confunda com a história de Novo Hamburgo, que sempre contou com a UENH, seus posicionamentos e sua mobilização, sendo inclusive, referência no meio politico da cidade. Sempre contou ainda, com os jovens formados no seio de sua organização que, uma parte consideravel deles, ocupa papel de grande destaque no cenário municipal, entre eles jornalistas, professores, vereadores e dirigentes políticos e partidários.
Tudo isso só é possível, por que a entidade tem uma grande capacidade de renovar-se a cada ano e a cada dia, mantendo-se atual, dinâmica e democrática, características fundamentais da juventude, mas sem perder a ousadia e a irreverência, mantém seu carater propositivo ajudando a construir Novo Hamburgo e o Brasil.
Muitos anos virão e mesmo 63 anos após sua fundação, a UENH ainda é necessária e continuará sua luta em defesa dos estudantes e da educação.

Vida longa à organização de todos os estudantes de Novo Hamburgo!
Vida longa à UENH!

sexta-feira, 4 de março de 2011

De que lado você samba?!

Como estudantes de jornalismo, aprendemos que teremos que conviver com as diferentes faces da profissão, basta estudar a grande mídia e o poder unilateral que ela exerce sobre a vida das pessoas.
É inegável o papel central que a imprensa joga em uma sociedade. Analisando a história do Brasil, percebemos por exemplo, a fúria com que o regime militar aplicava a censura nos veículos de comunicação, mas também percebemos que alguns dos veículos da época serviam para propagar a "revolução de 64". Até os dias de hoje, temos parte da grande imprensa que nega os anos de chumbo no Brasil e as milhares de vítimas perseguidas, cruelmente torturadas e mortas, chamando este período sangrento de "ditabranda", sugerindo que a ditadura brasileira teria sido leve.
Para citar algo pós-ditadura, podemos lembrar da deliberada manipulação, chamada de "edição" feita pela Rede Globo no debate presidencial de 1989, envolvendo os candidatos Lula e Collor, tudo com o objetivo de fazer com que Lula perdesse a eleição.

"Era durante o carnaval"

Em sua coluna do dia 04/03, intitulada "Era durante o Carnaval" para o Jornal NH, Aurélio Decker tece críticas tenazes ao legislativo municipal. Não quero entrar no mérito dessas críticas, afinal o jornalista como qualquer ser-humano tem o direito de defender sua opinião. Mas um parágrafo chamou a minha atenção, o qual achei perigoso, pois ele desabafa: "lamento pelos estagiários de Jornalismo que vão dar os primeiros passos na profissão, ingressando no mercado de trabalho (?) por um lado errado. Exatamente no lado que eles terão que combater, mais hoje mais amanhã. Se forem capazes de esquecer da primeira experiência profissional", referia-se à decisão da câmara de vereadores de contratar estagiários de jornalismo para os gabinetes.

"Abaixou a cabeça já era"

Os problemas neste curto parágrafo são vários! Primeiramente ele cria uma oposição, uma dualidade entre jornalistas e parlamentares. Dessa maneira, o trabalho do jornalista seria sempre destruir tudo o que é feito por algum vereador, deputado ou qualquer parlamentar. Joga todos na vala comum, tanto parlamentares, quanto jornalistas. Ou seja, todo vereador seria corrupto ou estaria alheio aos interesses da população, assim como todos jornalistas seriam os defensores do povo, com o dever da denúncia, da oposição a qualquer tipo de político, sendo inconcebível algum trabalho plausível para o político.
Atacar o parlamento desta maneira é atacar a democracia! É o diferencial entre uma crítica consciente e a tentativa de destruição de um sistema democrático ainda muito frágil.
Em segundo lugar, a coluna estabelece o jornalismo correto e o errado. O que o colunista considera o inicio correto para um jovem estudante de jornalismo? Em um grande veículo de comunicação? Todos tem um lado, assim como os vereadores e os jornalistas, assim como a mídia. Existem parlamentares corruptos, é verdade. Existem parlamentares alheios às necessidades da população, também é verdade. Mas existem veículos da comunicação com os mesmos problemas e além disso, possuem interesses próprios e lutam por eles. E os jornalistas não estão de fora dessa realidade! Alguns são exemplares e excelentes profissionais, outros não tem compromisso ético, são falsos denuncistas e, em alguns casos, chegam a ser escrotos. O que precisa ficar bastante claro é que isso não é uma regra!

Todos tem um lado, e mais ainda, todos sabem de que lado sambam: parlamentares, jornalistas, professores, advogados, etc. O que não dá é jogar todos em um saco e dizer: são todos iguais e ruins, nenhum serve. Pois enquanto isso acontece, existem pessoas comprometidas lutando para construir o nosso Brasil.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

127 horas

Aqui vai a minha torcida para o Oscar:
Melhor filme: 127 horas
Melhor ator: James Franco

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Brasil no estandarte, o samba é meu combate!

O ano recém começou e já arrebentou a porta de entrada dizendo a que veio. Os estudantes iniciaram 2011 com mobilização, debate e muita cultura. Milhares de estudantes brasileiros participaram do 13° Conselho Nacional de Entidades de Base - CONEB / 1° Encontro Nacional de Grêmios Estudantis e Bienal da UNE, entre os dias 15 e 22 no Rio de Janeiro.

Nas ruas de hoje, o Brasil de amanhã.


Ao todo foram dezenas de debates que nortearão a atuação da União Nacional dos Estudantes e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas durante o ano. Cumpriu também o papel de elaborar a plataforma estudantil para o Plano Nacional de Educação.
As delegações de estudantes de todo o Brasil aprovaram importantes bandeiras de luta como a
destinação de 10% do PIB para a educação e a derrubada do veto presidencial à emenda que destina 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação, além de avançar muito no debate a respeito da regularização do ensino privado, a autonomia e o financiamento do ensino público, reforma política, democratização dos meios de comunicação, além de um debate específico sobre o Programa Universidade Para Todos - ProUni. Ainda, foram lançados os seminários de assistência estudantil e de mulheres da UNE.

"A Bienal abandona, corajosamente, o medo de que o Brasil termine em um imenso carnaval, sem prazo para a última batida. Juntos, os estudantes brasileiros mostrarão que ser feliz também é o combate".

A maior mostra estudantil da América Latina reuniu dezenas de milhares de estudantes para discutir através da arte, cultura, ciência e tecnologia as raízes do povo brasileiro. Foram diversos trabalhos apresentados por estudantes no aterro do Flamengo, próximo à reconstrução da histórica sede da UNE e da UBES, além de intervenções culturais, como no Morro dos Macacos do tão cantado Morro do Pau da Bandeira, onde os estudantes puderam aprender com aqueles moradores que tanto tem a ensinar.
A abertura já dizia tudo "O show tem que continuar", e quem dizia era a madrinha da 7ª Bienal da UNE, Beth Carvalho.
As noites da Bienal foram agitadas pelo som de Marcelo D2, MC Leonardo e MC Sabrina na Cidade do Samba, Leci Brandão, Rappin Hood e Arlindo Cruz na Quinta da Boa Vista, Elza Soares, Farofa Carioca e o grande Martinho da Vila nos arcos da Lapa.

O calor do Rio de Janeiro não esmoreceu os estudantes e a Bienal foi encerrada numa grande passeata cultural em frente à praia de Ipanema. Com muito samba os estudantes já pediam 10% do PIB e 50% do Fundo social do Pré-Sal para a educação.

domingo, 2 de janeiro de 2011

2010

2010 foi um ano difícil e às vezes dava a impressão que não acabaria nunca, mas também foi um ano de superação. Ausência de pessoas que deixam saudade e reencontro com outras. Lutas e conquistas para o Brasil.
Sobrevivemos e transformamos.
Agora é 2011 e as energias estão renovadas.

"Eu quero ver um dia
Nascer sorrindo
E toda a gente
Sorrir com o dia
Com alegria
Do sol do mar
Criança brincando
Mulher a cantar.
(Chico Buarque)

sábado, 25 de dezembro de 2010

A Dom Quixote de La Mancha


"Rompi, cortei, quebrei, e disse, e fiz,
mais do que todo cavaleiro andante;
fui valente, destríssimo, arrogante,
mil agravos vinguei, cem mil desfiz.

Eterna é minha Fama: fui feliz,
correspondido e regalado amante;
anão foi para mim todo gigante
e ao duelo em qualquer ponto satisfiz.

A Fortuna a meus pés tive prostrada
e a calva Ocasião minha mão forte
arrastou pelos pêlos do cogote.

Mas, embora se visse sempre alçada
sobre os cornos da lua a minha sorte,
os teus feitos invejo, ó grão Quixote!"

Dom Belanis de Grécia
(Soneto de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um Sonho Impossível (Dom Quixote)

"Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo, cravar esse chão
Não me importa saber se é terrível de mais
Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz

E se esse chão que beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"



Versão original:

Impossible Dream

"To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear with unbearable sorrow
To run where the brave dare not go

To right the unrightable wrong
To love pure and chaste from afar
To try when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star
No matter how hopeless
No matter how far

To fight for the right
Without question or pause
To be willing to march into Hell
For a heavenly cause

And I know if I'll only be true
To this glorious quest
That my heart will lie peaceful and calm
When I'm laid to my rest

And the world will be better for this
That one man, scorned and covered with scars
Still strove with his last ounce of courage
To reach the unreachable star"


Dom Quixote




quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

UENH pede passagem!



Realizado no dia 09 de dezembro, o 17° Congresso de Estudantes da Educação Básica e Profissional da União dos Estudante de Novo Hamburgo - UENH, reuniu mais de 350 estudantes de diversas escolas da cidade, e cerca de 150 delegados e delegadas, eleitos em sala de aula, representando um universo de 6 mil estudantes, sendo um dos maiores congressos da história da UENH.
O Congresso foi dirigido pelo presidente da Comissão de Credenciamento da UENH, Tiago Morbach, estudante do curso técnico Tradutor e Intérprete do Colégio Estadual 25 de Juho, e contou com a presença do Coordenador de Políticas Públicas para a Juventude do município, Roger Correa, da diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gabriela Freitas e do diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Leonardo Silveira, além da presidente estadual da União da Juventude Socialista - UJS, Ticiana Alavares.

O Congresso debateu as bandeiras de luta da UENH para o ano de 2011 e aprovou propostas que são o acúmulo de inúmeros debates desenvolvidos nas escolas da cidade e circularam em três eixos, referentes à reforma do ensino médio, com elaboração do currículo pela comunidade escolar, internet pública na cidade e política de transporte estudantil.
Ao final do Congresso, foi eleita por unanimidade para presidir a UENH no próximo período e aclamada de pé pelos estudantes, a estudante da Escola Vila Becker, Laura Schimittz.

Segue documento aprovado pelos estudantes, que exige a criação de uma política de transporte estudantil na cidade:

UENH pede passagem por uma política de transporte estudantil.
A União dos Estudantes de Novo Hamburgo tem história na defesa dos direitos dos estudantes e na luta por uma educação de qualidade capaz de construir um Brasil soberano e desenvolvido. Em seus 62 anos de atividades contínuas, a UENH acumula conquistas e caracteriza-se pelo caráter propositivo de sua organização, que consegue identificar problemas referentes à educação em seus diferentes níveis e apontar soluções, mantendo-se no caminho das lutas.
Dessa maneira, a UENH tornou-se referência na luta por um transporte público de qualidade e acessível à população hamburguense e, mais especificamente, aos estudantes da cidade, que já enfrentam diversas dificuldades para freqüentar a sala de aula, sendo a ineficiência do transporte público e o alto custo das tarifas mais um obstáculo.
Segundo alguns dados, cerca de metade dos estudantes que ingressam no ensino médio acabam abandonando os bancos escolares e, sem dúvidas, tarifas elevadas no transporte público dão uma grande contribuição.
A cada aumento no valor da tarifa, a cidade espera um posicionamento da UENH, o que comprova a referência que é a entidade no que diz respeito ao assunto.
Neste 17° Congresso a UENH vem a público dizer: somos contra o aumento das passagens! Mas mais do que isso, queremos a elaboração de uma Política de Transporte Estudantil, que contemple as necessidades dos estudantes que constroem no dia-a-dia o futuro do país.
Queremos prioritária e urgentemente, que a UENH participe do Conselho Municipal de Transportes e possa defender a opinião dos estudantes dentro do órgão, pois queremos ser ouvidos e não podemos ser excluídos das tomadas de decisão da cidade. Nós, estudantes, construiremos o futuro de Novo Hamburgo, mas essa construção começa no presente. Temos o direito de opinar e participar!
Na Política de Transporte Estudantil, a ser construída pela UENH em parceria com grêmios estudantis e setores da sociedade, assim como vereadores, administração municipal e empresas do transporte coletivo, deve constar que os horários das linhas devem condizer com os horário de entrada e saída das escolas. Também deve constar a segurança e o conforto dos usuários.
Outro fator importante é a maneira de aquisição do meio passe, que deve poder ser feita de maneira fracionada, ou seja, os estudantes devem poder adquirir suas tarifas mais de uma vez por mês, e também durante o período de férias, lembrando que o passe é estudantil, e não apenas para ir à escola. Afinal, freqüentar o cinema, o teatro, a biblioteca, até mesmo o lazer, são importantes para a vivência estudantil.
A UENH cobra a implantação do sistema de passagem integrada, lembrando que esta foi proposta de campanha do atual governo.
Cobraremos também, a gratuidade no transporte público para os estudantes carentes, também para estudantes bolsistas do ProUni.
Tratando-se de transporte universitário, a UENH levanta a importância de linhas próprias, integradas com a vindoura linha do metrô. Em horários de pico, o transporte é sempre problemático e altamente desconfortável.
Estas medidas, além de influenciar no acesso e permanência dos estudantes nas escolas e universidades, auxiliam a resolver agravantes problemas do trânsito na cidade.
Com este documento, a UENH reafirma a sua independência frente a organizações partidárias e governos. A UENH está sempre disposta a dialogar, ser convencida e a convencer, para isso, suas resoluções devem ser respeitadas, assim como sua importância para a cidade.
Este documento segue assinado pelos delegados e delegadas, assim como suplentes e observadores do 17° Congresso Municipal de Estudantes da Educação Básica e Profissional da União dos Estudantes de Novo Hamburgo, eleitos em sala de aula e representantes de milhares de estudantes hamburguenses.
Novo Hamburgo, 09 de dezembro de 2010.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Paz e Arroz (Jorge Ben Jor)


Eu quero paz e arroz
O amor é bom e vem depois
Si si vira
Si si vira

Pois eu preciso de um cachorro
Pois eu preciso de um amigo
Os meus amigos me abandonaram
Pensando que eu tivesse a perigo
La la la la la la la la la la la la

Eu quero paz e arroz
O amor é bom e vem depois
Si si vira
Si si vira

Pois além de grande amigo
Eu preciso de alguém
Que me trate com carinho
Que me fale de amor
Das coisas lindas da vida
Das coisas lindas da paz

Eu quero paz e arroz
O amor é bom e vem depois