terça-feira, 17 de maio de 2011

Los Angeles, o churrasquinho de Higienópolis e a civilização imperfeita

Reproduzo o artigo genial de Rodrigo Viana:


Em artigo, o jornalista Rodrigo Vianna compara realidades e identidades de Brasil e EUA.
Enquanto transitava feito alma penada pelas “freeways” de Los Angeles – essas avenidas assépticas, artérias de uma cidade estranha e dominada pelo automóvel -, recebi com alegria a notícia de que em São Paulo prepara-se um histórico churrasquinho em frente ao shopping Higienópolis.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Vou tentar explicar…

A gente tem mania de dizer que o brasileiro, e o paulistano em particular, é elitista, preconceituoso, excludente. Tudo isso tem uma ponta de verdade. Tudo isso encontra amparo na nossa história secular de desigualdade. Mas ao olhar para Los Angeles – para a tristeza e a pasmaceira dessa gente nas ruas limpas e vazias – senti uma ponta de orgulho de ser brasileiro.

Sim. Vamos lembrar…

Em Nova York e Washington, jovens foram às ruas duas semanas atrás para “comemorar” o assassinato de Bin Laden. Foi um espetáculo triste. E não vi outros jovens – nas universidades, nas escolas, nas associações ou Igrejas desse imenso país da América do Norte – terem a coragem de ir pra rua e dizer: “alto lá; Bin Laden é (ou era) um assassino; mas até os criminosos têm direito a um processo legal, essa é a base da democracia”.

Não. Os Estados Unidos abriram mão disso. Trocaram Justiça por Vingança. E quem ousou protestar ficou isolado. Os Estados Unidos são um gigante combalido. E um gigante combalido é perigoso.

O Império do Norte foi duramente golpeado em 2001, pelo ataque covarde às torres gêmeas. Depois, teve sua economia golpeada com a crise de 2008 (fruto de desregulação alucinada dos “mercados”, que tomaram de assalto o Estado fundado por George Washington). A eleição de Obama parecia redenção, enganou muita gente. Mas Obama já jogou no lixo o discurso (e a pose de) modernizador, e contentou-se com o papel de cowboy.

Vocês viram a cena insólita de Obama caminhando pela Casa Branca depois de anunciar que a “justiça foi feita”, logo após o ataque no Paquistão? Patético. Obama virou Bush. Um simulacro de Bush.

Comparemos com o Brasil. Nesse mesmo período, de 2002 pra cá, nosso país elegeu um operário. Depois, reelegeu o operário. Enterrou assim o complexo de vira-lata. Muita gente temia (e havia os que torciam descaradamente para que isso acontecesse) que um homem do povo não desse conta do recado. Lula deu conta. Mais que isso: tirou 20 milhões de brasileiros da miséria, fortaleceu o mercado interno, freou o processo de desmonte do Estado, pôs o Brasil no centro das decisões internacionais, devolveu auto-estima ao povo brasileiro.

Lula cometeu muitos erros. Sem dúvida. Mas ajudou a fundar um novo Brasil. E nosso ex-presidente é um líder conhecido e admirado no mundo inteiro. Ando por Los Angeles, e quando digo que sou do Brasil costumo ouvir: “Uau, it´s cool”. Algo como: “Uau, que bacana”.

Os Estados Unidos são uma potência. Ninguém duvida. Mas são uma potência triste.

O atual presidente deles é um negro que chegou ao poder carregando esperança de renovação. Afundou-se no conservadorismo dos cowboys. A nossa atual presidente é uma mulher, ex-guerrilheira – que segue os passos de Lula.

O último ex-presidente deles é Bush Jr. O nosso, é Lula.

E o churrasquinho? Ah, isso tem tudo a ver com Lula…

O churrasquinho, como se sabe, é a reação bem-humorada a esse bando de infelizes que fez lobby para não ter Metrô perto de casa, em São Paulo. Tudo aconteceu em Higienópolis, condado habitado (santa coincidência) por FHC. Uma senhora, moradora do condado de Higienópolis, chegou a explicar porque não queria o Metrô: é que isso traz gente “diferenciada” pro bairro.

Seguiram-se reações indignadas. Ótimo! O brasileiro indigna-se. Não aceitamos mais a boçalidade elitista. Vejam que o Prates (aquele comentarista tosco da RBS) perdeu o emprego ao dizer que qualquer “analfabeto” podia ter carro. Agora, a turma de Higienópolis apanha por ter feito a opção demofóbica. Isso é muito bom.

E digo mais. Ótimo que – em vez de agressões, pancadas ou cascudos – a turma elitista receba como contragolpe um churasquinho! Essa é uma lição para o mundo. É uma saída genial. Diante do preconceito, reagimos com escárnio, não com violência.

Nos Estados Unidos, isso seria impensável. Olho pras ruas tristes de Los Angeles, para os condomínios sem alma da cidade, para as calçadas limpíssimas de Santa Mônica (o balneário aqui bem próximo da capital do Cinema), e me orgulho do Brasil.

Podemos dar ao mundo o exemplo de uma civilização imperfeita, que não pretende (e nem consegue) ser limpa, higiênica, asséptica. Somos um país forte, que pode ser rico, mas seguirá cheio de defeitos.

Aceitá-los, como se aceita camelôs e gente “diferenciada” na porta de casa, é um exercício saudável para evitar nazismos, fascismos e bushismos.

Tantaz vezes confrontado pela elite brasileira que não aceitava ser governada por um “diferenciado”, Lula não partiu pro confronto, nem tentou derrubar a bastilha. Lula reagia sempre com o churrasquinho.

O churrasquinho é como se o povo, como fez Lula durante 8 anos, dissesse pra essa elite tosca: “não queremos ser iguais a vocês… Vocês é que deviam ser iguais a nós. Venham, sejam brasileiros! Venham pro nosso churrasquinho, aproximem-se! No Brasil, há espaço até para elitistas boçais.”

Somos uma civilização imperfeita. É o melhor que podemos oferecer ao mundo.

Somos um país que responde ao preconceito com churrasquinho! Viva o Brasil.

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador.

terça-feira, 15 de março de 2011

UENH, 63 anos fazendo história

Ontem (14/03), a União dos Estudantes de Novo Hamburgo - UENH, completou 63 anos. O fato por si só já deve ser comemorado, afinal são poucas organizações que conseguem chegar a essa idade. Mas, mais do que isso, a UENH completa 63 anos acumulando grandes conquistas para os estudantes e mantendo-se atual.

"Se muito vale o já feito..."

Fundada em 1948, antes mesmo da entidade nacional, União Brasileira dos Estuantes Secundaristas - UBES, a qual é filiada, a UENH logo torna-se referencia cultural para a cidade e permanece viva até mesmo durante os duros anos de Regime Militar.
Na década de 1980, traz uma de suas principais conquistas para Novo Hamburgo: o direito ao meio-passe estudantil no transporte público. Em 1992 sai às ruas pelo Impeachment do presidente Collor, no movimento que entraria para a história como "Caras-Pintadas". Também é na década de 1990 que a UENH conquista sua sede, a "Casa do Estudante" e é a primeira entidade a lutar pela extenção da linha do metrô para Novo Hamburgo, conquista que está sendo atingida em 2011.
Na segunda metade dos anos 90 e ao longo dos anos 2000, a UENH organiza aquelas que seriam as maiores mobilizações já vistas pela cidade, contra o sucateamento da educação, pela livre atuação dos Grêmios Estudantis e na campanha "Sou da Paz", contra a guerra imperialista. É também nessa época que a entidade firma-se como referência na luta por um transporte público de qualidade.
Na virada do milênio, a UENH vê sua ex-presidente, Carla Santos, assumir a presidencia da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, tamanha era a referência da entidade para o movimento estudantil nacional.
Em 2005 conquista a Lei da Meia-Entrada Cultural e Esportiva para os estudantes da cidade e em 2007 organiza a maior passeata já organizada em Novo Hamburgo, com mais de 4 mil estudantes, lutando contra o aumento das passagens de ônibus e contra a falta de professores nas escolas públicas da rede estadual.

"...Mais vale o que será" (Milton Nascimento)

Todo esse histórico, faz com que a entidade de luta dos estudantes se confunda com a história de Novo Hamburgo, que sempre contou com a UENH, seus posicionamentos e sua mobilização, sendo inclusive, referência no meio politico da cidade. Sempre contou ainda, com os jovens formados no seio de sua organização que, uma parte consideravel deles, ocupa papel de grande destaque no cenário municipal, entre eles jornalistas, professores, vereadores e dirigentes políticos e partidários.
Tudo isso só é possível, por que a entidade tem uma grande capacidade de renovar-se a cada ano e a cada dia, mantendo-se atual, dinâmica e democrática, características fundamentais da juventude, mas sem perder a ousadia e a irreverência, mantém seu carater propositivo ajudando a construir Novo Hamburgo e o Brasil.
Muitos anos virão e mesmo 63 anos após sua fundação, a UENH ainda é necessária e continuará sua luta em defesa dos estudantes e da educação.

Vida longa à organização de todos os estudantes de Novo Hamburgo!
Vida longa à UENH!

sexta-feira, 4 de março de 2011

De que lado você samba?!

Como estudantes de jornalismo, aprendemos que teremos que conviver com as diferentes faces da profissão, basta estudar a grande mídia e o poder unilateral que ela exerce sobre a vida das pessoas.
É inegável o papel central que a imprensa joga em uma sociedade. Analisando a história do Brasil, percebemos por exemplo, a fúria com que o regime militar aplicava a censura nos veículos de comunicação, mas também percebemos que alguns dos veículos da época serviam para propagar a "revolução de 64". Até os dias de hoje, temos parte da grande imprensa que nega os anos de chumbo no Brasil e as milhares de vítimas perseguidas, cruelmente torturadas e mortas, chamando este período sangrento de "ditabranda", sugerindo que a ditadura brasileira teria sido leve.
Para citar algo pós-ditadura, podemos lembrar da deliberada manipulação, chamada de "edição" feita pela Rede Globo no debate presidencial de 1989, envolvendo os candidatos Lula e Collor, tudo com o objetivo de fazer com que Lula perdesse a eleição.

"Era durante o carnaval"

Em sua coluna do dia 04/03, intitulada "Era durante o Carnaval" para o Jornal NH, Aurélio Decker tece críticas tenazes ao legislativo municipal. Não quero entrar no mérito dessas críticas, afinal o jornalista como qualquer ser-humano tem o direito de defender sua opinião. Mas um parágrafo chamou a minha atenção, o qual achei perigoso, pois ele desabafa: "lamento pelos estagiários de Jornalismo que vão dar os primeiros passos na profissão, ingressando no mercado de trabalho (?) por um lado errado. Exatamente no lado que eles terão que combater, mais hoje mais amanhã. Se forem capazes de esquecer da primeira experiência profissional", referia-se à decisão da câmara de vereadores de contratar estagiários de jornalismo para os gabinetes.

"Abaixou a cabeça já era"

Os problemas neste curto parágrafo são vários! Primeiramente ele cria uma oposição, uma dualidade entre jornalistas e parlamentares. Dessa maneira, o trabalho do jornalista seria sempre destruir tudo o que é feito por algum vereador, deputado ou qualquer parlamentar. Joga todos na vala comum, tanto parlamentares, quanto jornalistas. Ou seja, todo vereador seria corrupto ou estaria alheio aos interesses da população, assim como todos jornalistas seriam os defensores do povo, com o dever da denúncia, da oposição a qualquer tipo de político, sendo inconcebível algum trabalho plausível para o político.
Atacar o parlamento desta maneira é atacar a democracia! É o diferencial entre uma crítica consciente e a tentativa de destruição de um sistema democrático ainda muito frágil.
Em segundo lugar, a coluna estabelece o jornalismo correto e o errado. O que o colunista considera o inicio correto para um jovem estudante de jornalismo? Em um grande veículo de comunicação? Todos tem um lado, assim como os vereadores e os jornalistas, assim como a mídia. Existem parlamentares corruptos, é verdade. Existem parlamentares alheios às necessidades da população, também é verdade. Mas existem veículos da comunicação com os mesmos problemas e além disso, possuem interesses próprios e lutam por eles. E os jornalistas não estão de fora dessa realidade! Alguns são exemplares e excelentes profissionais, outros não tem compromisso ético, são falsos denuncistas e, em alguns casos, chegam a ser escrotos. O que precisa ficar bastante claro é que isso não é uma regra!

Todos tem um lado, e mais ainda, todos sabem de que lado sambam: parlamentares, jornalistas, professores, advogados, etc. O que não dá é jogar todos em um saco e dizer: são todos iguais e ruins, nenhum serve. Pois enquanto isso acontece, existem pessoas comprometidas lutando para construir o nosso Brasil.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

127 horas

Aqui vai a minha torcida para o Oscar:
Melhor filme: 127 horas
Melhor ator: James Franco